Somos um país de potencialidades



Escrito por Brasiligual às 21h45
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Hoje, estamos vendo em São Paulo o terror organizado.

Policiais sendo mortos, familias desamparadas.

A periferia de São Paulo sempre esteve nas mãos do crime. Por quê agora a indignação? Apenas o medo está nos unindo, isolados em nossas casas?

O toque de recolher é real.

Mesmo asim ainda existe o raciocínio que a situação é melhor que no Rio de Janeiro. Ou seja, enquanto os pobres morrem a classe média assiste.

Estamos construindo um Brasil Igual? Ou um Brasil Refém? Precisamos construir o sonho da igualdade. Quebrar o isolamento. Trazer os jovens para a sociedade, dar oportunidades reais.

Somos nós a periferia (negros). O apartheid é social e racial. Enquanto sofríamos com os "donos" nada acontecia. E agora?

O que acontece nos dois principais estados do Brasil pode acontecer em qualquer lugar.

O nosso Brasil é muito desigual. Ao vermos as estatísticas do IBGE vemos que com as mesmas horas trabalhadas os negros são piores remunerados que os brancos.

A pobreza tem cor no Brasil. E em momentos como esse penso na quantidade de médicos, artistas, publicitários estamos perdendo. A prioridade há centenas de anos deveria ter sido o social. A proximidade entre diferentes. Ainda hoje todos tem vergonha de priorizarem o ser humano. Priorizar os indicadores sociais. O que nos importa os bilhões exportados, se não temos a liberdade de ir e vir? E os bilhões pagos ao FMI? Agora somos confiáveis? Sim, e ao mesmo tempo quem confia em um país maior exportador munidal de alimentos que possui uma multidão de famintos?

Eu escolho Segurança, Educação e Solidariedade. Escolho proximidade. Escolho mobilizar. Mudar a mente. Este país tem jeito. Fora dos esquemas. Quebre a corrente!

E você? Quer construir um Brasil Igual ou aumentar o muro?

Quer entender, debater - com dados reais, verdadeiros - para refletir?

Leia, pesquise. Este assunto toca a você e aqueles que ama...

 http://www.pnud.org.br/raca/reportagens/index.php?id01=430

São Paulo, 09/06/2004
Para negros, mais estudo é menos emprego
Estudo do IBGE aponta que, entre as pessoas de cor preta e parda, os desempregados têm escolaridade maior que os que trabalham

Crédito: Sindipetro Duque de Caxias/Divulgação
RICARDO MEIRELLES
da PrimaPagina

Quanto mais anos de estudos tiver um trabalhador, maior a chance de ele estar empregado. Embora possa parecer verdade universal, esse preceito não vale para brasileiros de cor preta e parda. De acordo com estudo divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), os negros desempregados têm, em média, mais tempo de estudo que os negros empregados — o que não acontece entre os brancos.

Segundo o estudo Características da População em Idade Ativa Segundo a Cor ou Raça nas Seis Regiões Metropolitanas, os negros ocupados estudaram 7,7 anos e os desempregados, 8,0 anos. Os trabalhadores brancos têm mais tempo de estudo, estejam eles empregados (9,8 anos) ou procurando emprego (9,5 anos).

A pesquisa foi feita nas seis maiores regiões metropolitanas do país. Só em uma delas, a de Salvador (BA), os negros empregados acumulam mais anos de estudo que os desempregados (8,4 contra 8,2). Na região de Porto Alegre, não há diferença entre os dois grupos de negros (ambos estudaram, em média, 7,4 anos). A discrepância se manifesta nas regiões metropolitanas de Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. O estudo do IBGE também mostra que o desemprego é maior entre os negros e a renda, menor.

“Não é verdade que, no Brasil, a escolaridade seja para os negros sinônimo de alocação no mercado de trabalho, e muito menos de remuneração igual à de um empregado branco com a mesma escolaridade”, observa a historiadora Wania Sant’Anna, especializada em questões raciais.

Na avaliação de Neide Aparecida Fonseca, presidenta (ela faz questão desse “a” no final da palavra) do Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial (Inspir), a diferença apontada pelo IBGE indica que o negro com mais tempo de estudo enfrenta mais dificuldade em conseguir postos de trabalho condizentes com sua formação.

“Ainda predomina uma mentalidade de que nos postos mais elevados não pode haver negros, que os negros servem é para trabalhos manuais, menos qualificados”, comenta. “Para os negros, no Brasil o investimento em educação não resulta em ampliação de renda necessariamente. Mais uma vez, encontramos o fenômeno de alocação de mão de obra negra em postos de trabalho sem prestígio e de baixa remuneração”, concorda Wania.

Segundo Neide, os dados sugerem também que apenas uma política de cotas em universidades públicas não resolve a disparidade no mercado de trabalho: é preciso uma política afirmativa que influa no próprio mercado. Ela defende incentivos fiscais para empresas que, em toda a estrutura hierárquica, apresentarem uma proporção de negros semelhante à da população da cidade ou do bairro em que está instalada.

O PNUD Brasil desenvolve um projeto, em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), que visa justamente produzir conhecimento e fomentar o debate para combater e superar o racismo. O projeto chama-se Combate ao Racismo e Superação das Desigualdades Sociais.



Escrito por Brasiligual às 21h42
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