Adversidade cria... oportunidade

Mesmo sendo preterido historicamente da educacao oficial o negro é escritor.

E é negro o maior escritor brasileiro de todos os tempos. 

É importante para a nossa auto-estima quebrar as pernas das idéias que nos incutiram: somos inferiores.

Nao somos superiores no entanto. Somos particulares como todos os humanos.

E nosso orgulho positivo é retomado quando revelamos mais isto; somos intelectos, somos homens e mulheres pensantes.

http://www.itaucultural.org.br/brasil_brasis/negro/sessao01.htm

Há muito tempo, a literatura brasileira é cheia de negros. Escritores ou personagens, negras e negros povoam nossas letras. De pele menos ou mais escura, só muito raramente, no entanto, os escritores se identificavam ou eram identificados como negros.

E isso num país em que boa parte da população sempre foi, assumida ou disfarçadamente, não branca! A situação de escravidão a que eram reduzidos os povos africanos para cá trazidos, sua condição de vida no Brasil, a vergonha com que se cobria o país pelo fato de ser uma nação escravocrata podem ser alguns dos motivos que explicam o apagamento da negritude, muito visível, por exemplo, nos estudos literários. Exemplos disso são o poeta Domingos Caldas Barbosa e o escritor Machado de Assis . Ambos eram negros, mas as histórias literárias e os livros didáticos raramente mencionam esse fato ao apresentar esses autores (e todos os demais escritores e intelectuais negros brasileiros).

Esse apagamento da negritude tem conseqüências sociais da maior gravidade. Como, por exemplo, os resultados da pesquisa da professora Rita de Cássia Souza Pierini . Sua tese conclui que o ensino no Brasil toma por referência a cultura européia, raramente considerando o papel que o negro teve e tem na cultura brasileira. ...

Talvez as coisas fossem diferentes se aprendêssemos na escola que um dos maiores escritores da literatura brasileira erudita, Machado de Assis, era um negro.

Exercício 1



Escrito por Brasiligual às 23h17
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Existe preconceito racial no Brasil?

Para todos que genuinamente possuem esta dúvida, busquem a resposta. Seguem Extratos da Revista TAM 2001 - Almanque Brasil de Cultura Popular

Entrevista com Benedita da Silva (ex-senadora), Nei Lopes (cantor, compositor e escritor) e Thereza Santos (socióloga):

Quais os maiores males deixados pela herança escravocrata?

Benedita - A descrença, a desfaçatez e o mito da democracia racial.

Nei - A desqualificação do que vem da matriz africana. Práticas culturais foram caracterizadas como retrógradas, até nocivas: a música, como monótona e lasciva; a religiosidade, como conjunto de superstições; a medicina, como anti-higiênica e inócua. Outro mal é a ocultação da presença negra. Por exemplo, no dicionário Larousse, o cantor Al Jonson é "americano de origem judaica", como o compositor Gershwin. No Brasil, raramente figuram personagens realçados em sua circunstância étnica. A pista para você identificá-los é a rubrica "nascido em lar humilde". O requinte foi o retrato americano: por meio de pintura sobre fotografia , o fotógrafo "embelezava" o retratado, pelo clareamente da pele e alisamento de cabelo. Nos livros de história vêe-se reproduções desses retratos.

Thereza - É a sociedade continuar se recusando aceitar que saímos do estado de objeto para o de sujeito, Todos os outros males são consequencia.

A discriminação racial é ilegal desde 1951 graças à lei Afonso Arinos. Como explicar que o racismo ainda atue?

Benedita - É que não basta apenas a lei. Vale lembrar que a lei Afonso Arinos atenuava; e a Lei Caó torna crime o racismo desde 1988.

Nei - Até a década de 1960, a Polícia do Exército, no Rio, recrutava no sul soldados altos, louros e de olhos claros, aqui apelidados catarinas, para reprimir os soldados comuns, geralmente suburbanos, pretos e mestiços. O fator étnico aí entrava como dado de superiodade. Foi uma das práticas mais hediondas do Estado brasileiro. Hoje, coisas tão explícitas não passariam despercebidas. Mas o "racismo amigável" continua, porque a intelligentsia e a mídia colonizadas fazem questão de negar o pluralismo brasileiro.

Thereza - De cada cinquenta processos que abrimos contra discriminação vencemos um. Pensávamos que a Lei Caó nos daria maior força. Quem aplica a lei em geral é tão racista quanto quem pratica o crime. A Constituição assegura o direito à discriminação e ao preconceito porque assegura que somos todos iguais perante a lei "que não funciona". Como estratégia, nada mais perfeito.



Escrito por Brasiligual às 18h13
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